22 de mar de 2011

Seu pendrive tem blutufe?

Hoje é aniversário da Cely que tá de molho na cama com hérnia de disco. Solidárias a ela, na  saúde e na doença , há mais de 30 anos, as Mimi e  Cocó, eu e  Carminha,  fomos até a casa dela.  Aniversário não se faz todo  dia, como ela adora uma festa e sempre organiza os nosso aniversários,não podíamos deixar de ir dar um beijo nela.Fomos juntas,  no caminho a Carmen precisou parar no correio para mandar duas cartas para o DSV que, antigo até nao poder mais, não aceita e-mail. Comentei com ela que estou começando a achar e-mail uma coisa antiquada, quase não recebo mais, hoje em dia, a gente se comunica muito mais pelas redes sociais, twiiter e face book que é uma comunicaçao quase instantanea, mas enquanto não aposentamos nosso correio eletrônico, é preciso abri-lo toda hora porque às vezes chega alguma coisa. Acabo de receber da Pat Furquim  esse que vou postar  agora, vejam se nao é hilário:
Haroldo tirou o papel do bolso, conferiu a anotação e perguntou à balconista:
- Moça, vocês têm pendrive?
- Temos, sim.
- O que é pendrive? Pode me esclarecer? Meu filho me pediu para comprar um.
- Bom, pendrive é um aparelho em que o senhor salva tudo o que tem no computador.
- Ah, como um disquete...
- Não. No pendrive o senhor pode salvar textos, imagens e filmes. O disquete, que nem existe mais, só salva texto.
- Ah, tá bom. Vou querer.
- Quantos gigas?
- Hein?
- De quantos gigas o senhor quer o seu pendrive?
- O que é giga?
- É o tamanho do pen.
- Ah, tá. Eu queria um pequeno, que dê para levar no bolso sem fazer muito volume.
- Todos são pequenos, senhor. O tamanho, aí, é a quantidade de coisas que ele pode arquivar.
- Ah, tá. E quantos tamanhos têm?
- Dois, quatro, oito, dezesseis gigas...
- Hmmmm, meu filho não falou quantos gigas queria.
- Neste caso, o melhor é levar o maior.
- Sim, eu acho que sim. Quanto custa?
- Bem, o preço varia conforme o tamanho. A sua entrada é USB?
- Como?
- É que para acoplar o pen no computador, tem que ter uma entrada compatível.
- USB não é a potência do ar condicionado?
- Não, aquilo é BTU.
- Ah! É isso mesmo. Confundi as iniciais. Bom, sei lá se a minha entrada é USB.
- USB é assim ó: com dentinhos que se encaixam nos buraquinhos do computador. O outro tipo é este, o P2, mais tradicional, o senhor só tem que enfiar o pino no buraco redondo. O seu computador é novo ou velho? Se for novo é USB, se for velho é P2.
- Acho que o meu tem uns dois anos. O anterior ainda era com disquete. Lembra do disquete? Quadradinho, preto, fácil de carregar, quase não tinha peso. O meu primeiro computador funcionava com aqueles disquetes do tipo bolacha, grandões e quadrados. Era bem mais simples, não acha?
- Os de hoje nem têm mais entrada para disquete. Ou é CD ou pendrive.
- Que coisa! Bem, não sei o que fazer. Acho melhor perguntar ao meu filho.
- Quem sabe o senhor liga pra ele?
- Bem que eu gostaria, mas meu celular é novo, tem tanta coisa nele que ainda não aprendi a discar.
- Deixa eu ver. Poxa, um Smarthphone! Este é bom mesmo! Tem Bluetooth, woofle, brufle, trifle, banda larga, teclado touchpad, câmera fotográfica, flash, filmadora, radio AM/FM, TV digital, dá pra mandar e receber e-mail, torpedo direcional, micro-ondas e conexão wireless....
- Blu... Blu... Blutufe? E micro-ondas? Dá prá cozinhar com ele?
- Não senhor. Assim o senhor me faz rir. É que ele funciona no sub-padrão, por isso é muito mais rápido.
- Pra que serve esse tal de blutufe?
- É para um celular comunicar com outro, sem fio.
- Que maravilha! Essa é uma grande novidade! Mas os celulares já não se comunicam com os outros sem usar fio? Nunca precisei fio para ligar para outro celular. Fio em celular, que eu saiba, é apenas para carregar a bateria...
- Não, já vi que o senhor não entende nada, mesmo. Com o Bluetooth o senhor passa os dados do seu celular para outro, sem usar fio. Lista de telefones, por exemplo.
- Ah, e antes precisava fio?
- Não, tinha que trocar o chip.
- Hein? Ah, sim, o chip. E hoje não precisa mais chip...
- Precisa, sim, mas o Bluetooth é bem melhor.
- Legal esse negócio do chip. O meu celular tem chip?
- Momentinho... Deixa eu ver... Sim, tem chip.
- E faço o quê, com o chip?
- Se o senhor quiser trocar de operadora, portabilidade, o senhor sabe.
- Sei, sim, portabilidade, não é? Claro que sei. Não ia saber uma coisa dessas, tão simples? Imagino, então que para ligar tudo isso, no meu celular, depois de fazer um curso de dois meses, eu só preciso clicar nuns duzentos botões...
- Nããão! É tudo muito simples, o senhor logo apreende. Quer ligar para o seu filho? Anote aqui o número dele. Isso. Agora é só teclar, um momentinho, e apertar no botão verde... pronto, está chamando.
Haroldo segura o celular com a ponta dos dedos, temendo ser levado pelos ares, para um outro planeta:
- Oi filhão, é o papai. Sim. Me diz, filho, o seu pen drive é de quantos... Como é mesmo o nome? Ah, obrigado, quantos gigas? Quatro gigas está bom? Ótimo. E tem outra coisa, o que era mesmo? Nossa conexão é USB? É? Que loucura. Então tá, filho, papai está comprando o teu pen drive. De noite eu levo para casa.
- Que idade tem seu filho?
- Vai fazer dez em março.
- Que gracinha..
- É isso moça, vou levar um de quatro gigas, com conexão USB.
- Certo, senhor. Quer para presente?
 Em casa, ele entrega o pen drive ao filho e pede para ver como funciona. O garoto insere o aparelho e na tela abre-se uma janela. Em seguida, com o mouse, abre uma página da internet, em inglês. Seleciona umas palavras e um 'havy metal' infernal invade o quarto e os ouvidos de Haroldo. Um outro clique e, quando a música termina, o garoto diz:
- Pronto, pai, baixei a música. Agora eu levo o pendrive para qualquer lugar e onde tiver uma entrada USB eu posso ouvir a música. No meu celular, por exemplo.
- Teu celular tem entrada USB?
- É lógico. O teu também tem.
- É? Quer dizer que eu posso gravar músicas num pen drive e ouvir pelo celular?
- Se o senhor não quiser baixar direto da internet...
Naquela noite, antes de dormir, deu um beijo em Clarinha e disse:
- Sabe que eu tenho Blutufe?
- Como é que é?
- Bluetufe. Não vai me dizer que não sabe o que é?
- Não enche, Haroldo, deixa eu dormir.

(autor desconhecido)

Acabo de receber uma correção nos comentários que agradeço muito e que vou  transcrever um pedaço aqui.Acho de uma importância vital a gente dar crédito ao autor do que quer que seja, texto, desenho, foto o que for. Vejo muita gente que posta coisas na internet sem dar o devido crédito, confesso que isso me aflige um pouco. Quando recebi esse e-mail não veio crédito algum por isso escrevi que era autor descolhecido. Agora, com o
esclarecimento da LuThome, dona de um blog interessantíssimo, faço a correçao desse divertidíssimo texto doPaulo Wainberg, distribuída originalmente por e-mail e está publicada em seu blog com data de 29 de março de 2011
(link direto: http://paulowainberg.wordpress.com/2011/03/29/familia-vinte-e-um/).

6 comentários:

Néia Lambert disse...

Pituca gostei muito da história, apesar de ser engraçada é a mais pura realidade de muita gente ainda! difícil é acompanhar a evolução tecnológica com suas mil e uma novidades.

Beijos

Vera disse...

Pituca, perfeito!!!! Adorei! Beijos.

Lainegomes disse...

A gente se perde mesmo com tanta tecnologia. Lembrei do dia em que levei minha mãe comprar seu primeiro celular e implorei pra vendedora um aparelho que fizesse e recebesse ligações e só. Ela me olhou como se eu fosse um ET, esse tipo de aparelho não existe mais...hehehe
Adoro ler oq vc escreve, vc sabe...hehe
bjs e amores

Santana Filho disse...

PITUCA, após a terceira leitura deste ótimo texto peguei meu caderno de anotações e fui marcando os termos, tentando arejar um cadiquinho. Cheguei a uma compreensão ra-zo-á-vel.

Leio seus comentários a respeito destes tempos internauticos e me divirto à beça; somos da mesma tribo.

Desisti de correr atrás. Quando sou abalroado por alguma onda de contemporaneidade, lembro da Neuzinha Brizola, me deito e espero passar.

Grande abraço.

Ebook Revenda: http://ebookrevenda.ueuo.com disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Lu Thomé disse...

Olá Maria Cecília!

A crônica publicada em seu blog com o título de “Seu pen drive tem blutufe”, não é de autor desconhecido. A crônica, intitulada Família Vinte e Um, é de autoria do escritor gaúcho Paulo Wainberg e foi distribuída originalmente por e-mail e está publicada em seu blog com data de 29 de março de 2011 (link direto: http://paulowainberg.wordpress.com/2011/03/29/familia-vinte-e-um/).
Peço que faça a correção e dê o devido crédito ao texto. Obrigada!