23 de jan de 2012

Eu era feliz e sabia!!!

Acabo de chegar da missa de sétimo dia do meu amigo querido, Neco Sobral. Nos conhecemos em junho de 1994 no comitê de eleição do futuro presidente Fernando Henrique Cardoso. É ainda nítida na minha memória a hora em que fomos apresentados, apesar de muito mais moço que eu, tínhamos inúmeros amigos em comum, sendo a Gilda Portugal Gouveia, a chefe da campanha em São Paulo, sua melhor amiga. Nossa empatia foi imediata e no dia seguinte dessa inauguração da casa da Rua Carpina onde era sediado o Programa de Governo que se chamou ‘‘Desperta Brasil” onde eu tive a felicidade de ajudar a secretariar, lá estava o Neco, de mala e cuia, pronto pra ajudar em qualquer coisa. E era qualquer coisa mesmo que a gente fazia, até varrer o comitê e pregar cartazes se fosse preciso. Ele participava do grupo de estudos coordenado pelo Andrea Calabi chamado Desenvolvimento, mas, muito mais do que participar desse grupo, ele passou a fazer parte ativa da campanha  e nela se destacando pela disposição, disponibilidade e alegria. Muito rico, tinha um Passat importado, que nós aconselhamos a trocar, não pegava bem numa campanha política com pessoas de todas as classes sociais, um carro importado, raridade naquela época. Pois não é que no dia seguinte ele aparece com um carrinho popular que nem ar condicionado tinha? Ele era tão generoso e simples que se adaptou perfeitamente, e mais, tinha seu belíssimo apartamento na Rua São Paulo Antigo, sempre aberta a todos nós, especialmente ao grupo de jovens comandada pelo hoje vereador Floriano Pesaro.Que tempos emocionantes, a gente sabia que ajudávamos a escrever uma página da história que apesar de importantíssima, era também divertida. No encerramento da campanha ele deu um jantar chiquérrimo na sua  casa para todos nós da campanha, incluídos aí o futuro ministério e primeiro escalão do governo recém eleito e todas as pessoas que conviveram conosco aqueles meses, a telefonista, copeira, motoristas sem distinção nenhuma.  O presidente eleito telefona  e o Neco o coloca em  viva voz  para que todo mundo desfrutasse daquele agradecimento tão especial.  Ajudamos ainda a organizar os convites para a posse trabalhando até a hora de embarcar para Brasília onde ficamos todos no mesmo hotel. Uma farra, uma emoção indescritível. Em seguida o Neco continuou na linha de frente ajudando a montagem do governo, imaginem que  até pensaram que ele era lobista, afinal,quem era aquele menino que não era conhecido em Brasília mas que tinha contato e transitava entre  os grandes empresários, intelectuais e políticos desse País sem se deslumbrar pelo poder  e sem querer cargo algum? Era, acreditem em mim, idealismo puro.  Sobre a carreira política e empresarial dele, nosso amigo Raul Christiano escreveu lindamente no seu blog:  http://raul.blog.br/1933/morre-neco-sobral-quadro-tucano/comment-page-1 ,   Eu só consigo falar do amigo querido que não gostava de Brasília e me telefonava toda hora se queixando de solidão, do amigo namorador que sempre me perguntava, achando que eu conhecia todo mundo, quem era essa ou aquela menina que ele estava interessado, ou até para me ver brava, me amolava dizendo querer namorar a minha filha recém saída da adolescência. Essa convivência tão feliz começa a se espaçar a partir de 2002, ano de muitas perdas,foi quando a minha vida começou a ficar chata.  A última vez que nos falamos foi para pedir mais um favor, uma contribuição prontamente atendida, para o Projeto Equilíbrio que cuida de meninos de rua. A dor da minha saudade eu divido com as queridas Tininha e Gilda. Um dia Neco, a gente ainda se vê, cuida da gente, tá?

P.S. Essa foto foi tirada na Praça dos tres Poderes na hora da posse do Presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 1o de janeiro de 1995

19 de jan de 2012

Chorei , chorei!!


A  sensação não pode ser mais recente, mas hoje faz 30 anos que morreu Elis Regina.
Estávamos na Cachoeira, em férias, eu dormindo no nosso quartão quando o madrugador André vem  me acordar com a notícia terrível  dada pela Marilia Gabriela  na TV Mulher. Me lembro até do pijama azul marinho que ele vestia, me lembro do susto, da esperança logo desfeita de que fosse um engano.Que dia terrível,me vejo ainda com meu jeans beige a camiseta listada, sentada o dia inteiro na frente da tv e chorando.  Chorei muito, chorei piscinas,chorei até ficar cansada.Naquele dia só pensava no meu amigo Binho Ópice, o maior apaixonado por ela e me lembrava de que quando nos conhecemos, uns 10 anos antes, ele já era o seu maios ardoroso fã. Minhas lembranças me levaram até 1965 ou 66 quando escutei pela primeira vez aquela voz insuperável, me lembrei da capa do disco 2 na Bossa que eu ouvi tanto que até hoje sei todas as músicas de cor, este disco foi por sorte resgatado pela Carolina Vasconcelos, numa arrumação no escritório do seu pai, meu primo Dado. Acho que este dia não ficou marcado só na minha memória, acho que todos da minha geração se lembram daquele dia e de como foi que receberam a notícia. Imaginei que meu filho também se lembrasse, mas  ao telefonar para ele fiquei sabendo que não,- ele não tem a menor lembrança e acho que só tem por ela a admiraçao pela voz, não tem aquela paixão avassaladora  que eu sempre tive. O tempo, que é além de senhor da razão é também cruel, fez nesses 30 anos  que eu chorasse  tantas perdas que hoje, já não consigo mais. Sinto uma dor tão terrível pela perda do Geraldo Afonso Assumpção há 3 meses que me sinto anestesiada, sem muita vontade de nada, nem de chorar. Ontem foi o Neco Sobral, amigo tão querido e importante na minha vida.
Também não consegui chorar.