7 de fev de 2011

Eu era feliz e sabia....‏



Eu era feliz e deveria saber, aliás, tinha obrigação de saber, pena que quando a gente é criança não avalia o momento e, com uma ansiedade maluca já se anunciando, não soube aproveitar bem a delícia de se crescer numa fazenda nos anos 1950 até meados dos 60. Para telefonar para São Paulo a gente tinha que pedir logo cedo para a telefonista. Só se conseguia falar a noite. A ligação era péssima, era o maior berreiro para nos escutarem. Televisão, nem pensar, só no finalzinho, quando já estávamos quase nos mudando para São Paulo meu tio comprou uma. O programa das sextas feiras à noite era ir na casa dele assistir Bonanza. TV a cores era um sonho impensável, telefone sem fio? Oras, o nosso era de manivela. Só me sobrava, desajeitada e muito mais velha que meus irmãos e primos, ler. Plagiando a grande e premiadíssima escritora Ivana de Arruda Leite, numa entrevista à revista Poder, onde dizia ter tido influências Emilianas, isso mesmo, da Emilia do Sítio do Pica Pau Amarelo, eu também. Na escrita não me arvoro a dizer, afinal, quem sou eu? Mas sou emiliana no destempero verbal e, com isso, me sinto perdoada por muitas bobagens que digo. Emilia foi minha "'idala" e companheira das minhas primeiras leituras. Dela passei para a coleção Menina Moça que minha tia Diva tinha completa, cheguei a ler 3 livros num só dia. Depois de ler um armário inteiro que ela tinha num quartinho de despejo,passei da agua com açucar para Bonjour Tristesse, comentadíssimo livro de Françoise Sagan que minha mãe me proibiu de ler,afinal eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não iria, como aconteceu, entender nada. Depois os Reis Malditos de Maurice Druon.Mais tarde um pouco descobri o Tesouro da Juventude da infância da minha mãe, num português antigo, tinha os resumos de todos os clássicos. Li numa enfiada só e daí passei a ser mais seletiva. Também escondido, é claro, li todos os Harold Robbins, livro que aconselho a todos os jovens, não sei se hoje é considerado sacanagem, mas é bem escrito e facinho de ler como todos os best sellers. E lendo compulsivamente tudo que me caísse nas mãos, de livrinhos de banca a boa literatura, chegamos nos anos 1995 e com ela a internet. Daí, acabou minha alegria, passei a ficar horas e horas na frente dessa máquina mágica e infernal, ainda precisando ler antes de dormir, até porque, computador tira o sono. Somado a isso tudo, as 8 revistas que assino por mês. Socorro! Preciso me cuidar pra poder encompridar minha vida Não li ainda nada do que quero e ainda tenho essas máquinas infernais tipo meu celular pra me roubar o tempo brigando com a operadora.

beijos

2 comentários:

Lainegomes disse...

O John Lennon diz que a vida é aquilo que te acontece enquanto vc está ocupado com outros planos...
Eu também sinto falta de mais tempo pra ler, mas as tentações são tantas...hehe
beijos, queridona

Santana Filho disse...

PITUCA, continue perto do computador, ligada em seu blog e escrevendo mais e mais. É sempre gostoso passar por aqui.

Um abraço.