9 de jul de 2010

9 de Julho

Feriadão do 9 de julho e nós aqui no comitê trabalhando, isto é, “batendo o ponto”, cheguei cedíssimo porque vim de carona com a Luísa e até agora só atendi uma pessoa. Como também trabalho na campanha presidencial, imaginei que as ligações dos diversos estados iam continuar. Como isso não acontece, aproveito para escrever um pouco, ando tão atrapalhada, e com os dias sempre tão iguais que me falta inspiração. Quando chego em casa estou tão cansada que vejo novela e durmo, nem ler mais estou conseguindo. Mas ao vir para cá hoje, pela Avenida 9 de Julho, não pude deixar de lembrar de um desfile para celebrar a Revolução Constitucionalista inesquecível na minha infância,foi assistido na calçada embaixo das escadarias do viaduto Major Quedinho e quem me levou foi meu avô e minha avó. Os dois, entusiastas, e, não sei até que ponto, participantes da revolução, me ensinaram desde muito cedo a amar esta cidade, a ter orgulho da nossa bandeira das treze listras e orgulho e reverência ao sangue derramado por mais de mil jovens soldados que nos ajudaram a devolver o processo democrático e em seguida o Brasil ter uma constituição. Impossível não citar o MMDC, sigla formada pelos nomes dos jovens- Martins, Miragaia,Drausio , Camargo e Alvarenga, que ao serem assassinados deram o estopim para a revolta. Apesar de adorar história, sou uma analfabeta confessa, melhor não me estender mais no assunto sob o perigo de escrever bobagens. Quero só contar mais um 9 de julho inesquecível na minha infância, foi no Mausoléu do Soldado Constitucionalista, no famoso obelisco no Ibirapuera. Não sei se foi na inauguração, mas me lembro nitidamente de ser apresentada por meu avô Celso ao nosso Príncipes dos Poetas, Guilherme de Almeida que me deu uma rosa vermelha, fiquei, mais do que nunca, “me achando”. Vejam se não tenho razão, ele já era um ídolo - meu pai, minha mãe, minhas tias e tios, todos sabiam de cor suas poesias, epecialmente esta que  eu cresci ouvindo trechos - a  belíssima " Nossa Bandeira".   É com muita saudade,  lembrando deles, que  eu copio  aqui :
NOSSA BANDEIRA
Bandeira da minha terra,
Bandeira das treze listas:
São treze lanças de guerra
Cercando o chão dos paulistas!
Prece alternada, responso
Entre a cor branca e a cor preta:
Velas de Martim Afonso,
Sotaina do Padre Anchieta!
Bandeira de Bandeirantes,
Branca e rôta de tal sorte,
Que entre os rasgões tremulantes,
Mostrou as sombras da morte.
Riscos negros sobre a prata:
São como o rastro sombrio,
Que na água deixara a chata
Das Monções subido o rio.
Página branca-pautada
Por Deus numa hora suprema,
Para que, um dia, uma espada
Sobre ela escrevesse um poema:
Poema do nosso orgulho
(Eu vibro quando me lembro)
Que vai de nove de julho
A vinte e oito de setembro!
Mapa da pátria guerreira
Traçado pela vitória:
Cada lista é uma trincheira;
Cada trincheira é uma glória!
Tiras retas, firmes: quando
O inimigo surge à frente,
São barras de aço guardando
Nossa terra e nossa gente.
São os dois rápidos brilhos
Do trem de ferro que passa:
Faixa negra dos seus trilhos
Faixa branca da fumaça.
Fuligem das oficinas;
Cal que  cidades empoa;
Fumo negro das usinas
Estirado na garoa!
Linhas que avançam; há nelas,
Correndo num mesmo fito,
O impulso das paralelas
Que procuram o infinito.
Desfile de operários;
É o cafezal alinhado;
São filas de voluntários;
São sulcos do nosso arado!
Bandeira que é o nosso espelho!
Bandeira que é a nossa pista
Que traz, no topo vermelho,
O Coração do Paulista!

 - Guilherme de Almeida

3 comentários:

Santana Filho disse...

Pituca, você respira São Paulo em seus textos.
Embora interiorano DA GEMA, sou encantado por esta cidade. Tudo que vem de SP me concerne.
E desconfio seriamente que circulei pelo CENTRÃO no início do século passado. Sempre que vejo aquelas fotos antigas em preto e branco me procuro recostado em um balcão tomando café.
Talvez seja domingo e eu esteja de volta da missa na Igreja de São Bento. Uso bengala. E chapéu.

Anônimo disse...

Noooossa. Que coisa linda, Pituca.
Posso até ouvir a Vovó, a tia Suzana, e o nosso pai dizendo esses poemas.
"Tenho orgulho dos nossos altiplanos"!
Vou pedir prá mamãe recitar de novo prá mim, prá nós!!!
bj
GOGÒ

Lesma de sofá disse...

Meu avô foi combatente (e comendador por conta dessa revolução). Eu tenho medalhas, o capacete (pintado à mão) do Trem Blindado (ele ficou surdo por conta de uma bomba que explodiu ao lado dele) e umas coisas bacanas. Quando vc vier aqui me ver, te mostro tu-do.
bjsbjsbjs