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7 de dez. de 2010

Qualquer dia a gente se vê

Quando a gente chega numa certa idade vai ficando calejada com as separacões inevitáveis que a vida nos reserva. A morte é um mal necessário e, ainda bem que existe, sinal de que a gente nasceu. Eu já perdi tanta gente querida, desde a inesquecível geracão dos meus avós - não consigo lembrar de qualquer um deles, tios e tias, sem ficar com um nó na garganta. E os da minha geracão que se foram cedíssimo? Minhas irmãs Ziza e Sonia, meus irmãos Cacá e o de sangue, Juca? Dói muito não poder compartilhar minhas alegrias, vitórias e frustracoes nesses anos todos sem eles. O consolo é pensar na riqueza que foram as suas curtas vidas, com todos os percalços e dificuldades, mas deixaram uma herança de generosidade e caráter irrepreensível nos seus filhos que também são um pouco meus.
E sem eles a gente vai vivendo, muito bem até, mas não há um dia sequer que acabe sem uma lembranca deles. A do meu pai é tão viva que sinto ele mais próximo hoje do que quando era vivo. Da vovó e da Gigina, sempre há uma graça, um jeito de falar que faz com que os anos de doença sejam esquecidos, só fica o lado leve, divertido e generoso.
Eu acho e tenho certeza de que essas pessoas não morreram, não falo nisso penando em vida eterna - morro de preguiça de pensar que existe, imaginem eu pela eternidade? eca!!! Ou reencarnacão ou qualquer outro sentimento ligado a religião. Eu acho que enquanto existirem pessoas que falem e se lembrem de seus mortos, eles continuam vivos, não sei se do nosso lado ou dentro da gente.
Não consigo mais pensar ou achar nada, a Baby Gregori acaba de morrer, mas quem a conheceu pode imaginar que ela não estará entre a gente até o último dia de nossas vidas? E depois da gente, de nossos filhos e netos que continuarão repetindo as suas deliciosas histórias, a sua alegria mais do que escandalosa, a sua força, a sua determinacão e a garra com que levou a vida e criou duas filhas maravilhosas, além das sobrinhas e uma multidão de amigos. A Baibola nunca vai morrer. Até qualquer hora, bicho loco, a gente se vê por ai.

13 de nov. de 2010

Que decepção!!!

Ontem eu disse uma frase de uma poesia que a tia Vera Rudge recitava. Todas as vezes que ouço ou leio a palavra "coragem", me lembro dela e, impossível ler ou falar de poesia sem lembrar do meu pai. Não se pode numa vida esquecer a emoção de escutar ele recitando o Navio Negreiro ou Cyrano de Berjerac. Toda vez que alguém fala que estou bem vestida eu respondo como meu pai: "só no moral se vê minha elegância, vestir-me não sei nem dou para casquilho". Bem que ele tentou me fazer decorar alguma coisa, mas, nunca conseguiu. O Juca e Gogó, que judiação, recitavam trechos dos Lusíadas. Ainda bem que era em casa, nunca foram exibidos em público, que eu me lembre. E de poesia em poesia, prolixa que sou, me lembrei de uma cena das mais antigas, de quando eu comecei a ser alfabetizada. Estava no quartão das crianças no chalé, nossa casa na Usina Esmeralda, embaixo da janela que até hoje ainda enxergo nitidamente,lendo um livro desses de memórias que a gente ganha quando aprende a escrever. Era do Juca, ele ganhou da Vovó, tinha uma capa imitando tartaruga. Nele meu pai escreveu:"Meu filho, quero que você cresça livre como o vento e forte como a palmeira". Foi a coisa mais bonita que eu já tinha lido nos meus 7 ou 8 anos, talvez tenha sido na minha vida inteira para ter ficado gravado tão nitidamente na minha memória afetiva.Deus!Como admirei meu pai!
Anos depois, já morando em São Paulo, lendo Menotti del Pichia, vejo esta frase numa poesia - que decepção, eu que podia jurar que era da lavra(como ele dizia) do meu pai. Claro que fui tomar satisfação e escuto ainda hoje, com um nó na garganta, a gargalhada dele. Procurei e procurei no Google e não achei a poesia para postar aqui, liguei para minha mãe perguntando e ela ficou de me falar quando se lembrar. Como tenho surucutico e minha bateria está acabando, fico devendo.
beijos
P.S. vou pra aula de hidro agora