18 de mai. de 2010

Mudando de hábito

Eu sou ótima conselheira, pena que é da boca pra fora. Sei tudo sobre alimentação, o valor calórico de cada alimento e as melhores combinações. Pensam que eu aplico em mim? Necas . Sempre falei que sou uma gorda fora de padrão, adoro ginástica e salada, mas nem sempre foi assim. Até meados dos anos 80, não fazia a menor idéia de como se fazia uma abdominal e a sala de musculação do meu club , eu chamava de sala de tortura do DOPS. O apelido pegou até o dia que a Mariangela me obrigou a ir com ela até a porta pra terminar um assunto. Entrei e nunca mais saí de lá. Foram mais de 20 anos, diáriamente ,naquela sala. Fazia muita ginastica com peso, e, especialmente,com a língua: como era bom conversar entre cada exercício! Que tempo gostoso! eu era feliz e sabia, tinha certeza absoluta. Tanto, que quando eu morrer, minhas cinzas vão ser jogadas lá, naquele velho clube. Há 8 anos atrás, quando parei de fumar e engordei 15 quilos, ganhei também uma hérnia de disco muito chatinha, Parei um pouco a musculação e,aos poucos ,mudei de vez pra hidroginástica, que os muito maldosos e sem imaginação chamam de canja. Fiz novas amiguinhas - uma delícia também, a gente se exercitava e fazia terapia em grupo.Uma das alunas é professora da Psicologia da USP e tem um papo ótimo, fofocavamos muito. Fiquei nessa aula por quase 5 anos. No ano passado, precisei parar para ajudar uma mudança de casa .Logo em seguida meu marido teve enfarte e  fui exonerada da prefeitura. Resumo da ópera: fiquei uma velha doente de novo. Me habituei a ficar em casa,com dor. Eu, que sempre falei que para se criar um hábito, é preciso 40 dias. No começo você precisa se forçar um pouco, depois entra no automático e não se consegue parar. Foi assim tudo na minha vida, musculação, hidroginástica e ficar numa cama com depressão e dor na hérnia. Ontem, saindo de uma missa de 7º dia, passei no clube e levei um ultimato da Carminha : Comece devagar, obrigue-se a vir aqui todos os dias, nem que seja só para conversar e aproveitar a sala para um alongamento, ou melhor,- venha para a aula de alongamento amanhã às 11 horas e experimente. Eu fui, experimentei, doeu pra burro, mas saí de lá tão animada,que já paguei a matrícula e o primeiro mês. Ótimo estímulo para continuar, já está pago, a pão dura não vai desperdiçar. Ah! Além de umas queridas amigas que lá encontrei, já conheci mais duas pessoas super legais, trocamos figurinhas e nos encontraremos de novo na quinta feira, mesma Bat hora, mesmo Bat local.


beijos

13 de mai. de 2010

Páginas viradas mas não descartadas do meu folhetim

Eu já perdi tanta gente querida que acho que conheço mais gente pro lado de lá do que de cá. Acabei criando uma casca e tenho da morte uma visão um pouco dura. Sempre digo que morrer, além de ser um mal inevitável é apenas uma questão de tempo e que é bom morrer porque é sinal de que se nasceu e viveu. Tenho, no entanto, uma enorme dificuldade em me despedir de hábitos, lugares e situações.

Durante quase cinco anos trabalhei na Subprefeitura da Sé, ela continua lá, muitos amigos que fiz também continuam, posso ir à hora que quiser. Essa semana tinha combinado de almoçar com meu ex “companheiro de repartição” mas não consegui. Depois de cinco anos de convivência diária, nem sempre fácil, mas sempre carregada de admiração e afeto, agora o Paulinho deixa a sub. Um almoço, sabendo que era o último naquele lugar, ia doer, não tive coragem e dei o cano. Sinto que hoje uma etapa da minha vida acabou, qualquer dia eu conto como foram esses anos, das minhas brigas com o Paulinho, e da nossa paixão pela cidade. Hoje vou mostrar um pouquinho dele nesse e-mail que acabo de receber, vejam se eu não tenho razão, é um ranzinza muito querido:

Depois de cinco anos trabalhando na assessoria de gabinete da Subprefeitura da Sé parto para um novo desafio junto à Secretaria de Cultura do Estado. Saibam que levarei junto dos meus pertences o apoio, carinho e respeito com que me trataram durante esses anos que me reforçaram ainda mais o valor da amizade, a compaixão e o amor ao próximo. Sinto-me um pouco frustrado por não termos atingido o ideal pretendido mas a parceria na luta por sua busca valeu por todos os esforços pois neles estavam inseridos o respeito pela cidadania e civilidade. Agradeço muito a todos e a Deus por ter nos colocado nesta missão e peço que Ele continue sempre iluminando nossos caminhos. Muito obrigado. Abração.
Deixo com vocês um pouco da sabedoria do grande escritor português Fernando Pessoa:
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.É o tempo da travessia e,se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

O Paulinho,  chiquérrimo como é,  aposto que vai fazer uma revolução nesse novo guarda roupa.
Almoçamos na Sala São Paulo semana que vem?
Na hora de sempre?
 Estou passando pra pegar a Egle.
beijo

11 de mai. de 2010

Tão fácil complicar....

Eu nasci uma virginiana maníaca e chata. Com o passar dos anos essa característica se acentuou, ando cada dia que passa, mais ranzinza. Mas vejam se é uma implicância boba: a nossa língua portuguesa, não é super rica? Acho até que temos palavras que não existem em outras, saudade não é uma delas? Então, por que inventar mais palavras, mais figuras de linguagem? Porque não usar os adjetivos, verbos, substantivos, pronomes, advérbios, no lugar certo? Ou pelo menos, tentar? Eu juro que tento, e me irrito solenemente todas as vezes, e são muitas, quando leio em revistas de decoração, agora, até na melhor de todas, a Casa Vogue, usando termos assim: a cadeira conversa com o quadro. Grrrrrrr conversa como, cara pálida? Ou então - a decoração remete a.......Remete? humm acho até pornográfica essa falta de imaginação, qualquer coisa agora, remete. E brincar? - as cores brincam com o imaginário....Então tá!  E  o infame  "jogar" que saiu da decoração para o mundo?: você joga um xale no sofá, você joga um tapete, você joga um quadro, um colar, uma echarpe, uma bolsa. Oras, a gente não joga nada, a gente põe, também não coloca, apenas e simplesmente põe, nada difícil, nada empolado. Ah! já ia me esquecendo da mania dos jornalistas de escrever em inglês, a revista Vogue, que adoro, eu não entendo nada , preciso de um tradutor, metade ou mais de um parágrafo vem com frases em inglês. Tenho certeza, e aposto meus 10 dedos que aqui teclam, que essa gente escreve assim porque não sabe o português, mania de Must have, wish list  e por aí vai, coisa mais esnobe e boba. E tem mais, quem escreve assim chama creme batido ou chantilly de chantilí, é mole?

Outra coisa que me irrita é esposa e esposo. A troco de quê? Quando eu aprendi a escrever lá pela segunda metade do século passado, só se falava marido e mulher Acho que a primeira vez que ouvi esse danado de esposa foi lá pelos anos 1970, antes disso, nunquinha. Eu não sei em outros credos, mas na Igreja Católica, se fala marido e mulher. O Código Civil que foi revisado por ninguém menos do que Rui Barbosa, também fala  esposa. Pra que simplificar se a gente pode complicar?

Estou muito azeda hoje, melhor parar de escrever e deixar para outro dia o irritantemente mal usado “de”. Uma vez um dos meus filhos, pequenos ainda, falou alguma coisa assim : “de sexta” vai ter prova de... Eu perdi a paciência e berrei: Nesta casa fica proibido de hoje em diante falar DE . A Isabel vira pra mim e fala: Você acabou de falar de hoje em diante.

Desisto? Por hoje, sim.

beijos
P.S. Precisei fazer uma correção, escrevi errado o jeito que algumas pessoas falam chantilly. Acho que a correção deveria ser feita só aqui  no PS, como não sei direito como funcionam as regras da blogosfera,  corrigi lá em cima também.

6 de mai. de 2010

Barbie - um amor antigo

As minhas filhas, Isabel e Luísa, sempre adoraram brincar com bonecas, especialmente com as Barbies . Elas chegaram a ter tantas bonecas que tenho até vergonha de contar quantas. Quando fomos para a Disney, uma amiga me ensinou um depósito de brinquedos num subúrbio de Miami que era o paraíso dos brinquedos baratos, tinha acabado de inaugurar, era a hoje gigante,
Toys R us. Elas piraram, e eu também, as bonecas que aqui custavam uma fortuna por serem todas importadas, lá ,além de um preço justo, tinham as ofertas- bonecas de até 2 ou 3 dólares. E as roupas e adereços? de capotar! O que hoje é comum aqui, na época era um sonho. Compramos tantas bonecas que elas não queriam mais sair do hotel,eu quase não conheci a cidade. A paixão delas durou tantos anos, a Luísa foi a última pré adolescente a brincar com bonecas, herdando das amigas algumas Barbies . Me lembro como se fosse hoje, no corredor do meu quarto, com uma echarpe minha de passadeira, o casamento da Barbie e Ken com a "igreja" lotada. Pena não ter fotografado, . Quando a Lu cresceu, deu para a prima Patrícia a coleção de bonecas, mas logo se arrependeu, pediu de volta, ela que sempre foi muito desprendida, dando com prazer os brinquedos velhos quando ganhava novos.

Vendo essas imagens  da artista plástica francesa Jocelyne Grivaud  , não deixem de ver o imperdível site, isso aqui é só uma amostra, tem muito mais, não pude deixar de me lembrar disso tudo, e, mais ainda, da primeira vez que vi e me apaixonei pela boneca. Foi em Mogi Mirim, no meu primeiro ano de escola, uma amiga alemã, Pupy, tinha uma delas, numa maleta de couro marrom. Que paixão, que sonho, que inveja! Ainda bem que tenho essas imagens muito nítidas na minha memória afetiva, são essas lembranças bem vividas que fazem a vida da gente ter valido muito a pena.

3 de mai. de 2010

Chorona, eu?

Eu ando muito chorona ultimamente, acho que é aquela coisinha meio chata que dá nome ao meu blog. Acabo de chegar do cinema, viva o meu club! que está passando este mês os filmes indicados ao Oscar, tenho ido com freqüência e é sempre uma festa entrar naquele lugar onde só tem gente querida. Hoje o filme era o Invictus, sobre os primeiros meses do Nelson Mandela presidente, unificando o país através do rugby, acho que a paixão nacional deles. Não vou falar do filme porque não sou entendida no assunto, mas chorei no final. Que líder! Que carisma! Melhor que o meu rei Roberto Carlos e que estadista!! Quase tão bom quanto o Fernando Henrique. Mas eu falava dos meus choros, ai como mudo de assunto.- Ontem não chorei, mas fiquei super emocionada com uma menina turca, que mora em Istambul, viciada em polyvore, como eu. Ela entrou no meu perfil lá e viu que eu tinha um blog, veio até aqui e deixou um comentário. Não é pra ficar "mi achando" e também chorar de emoção? É muito engraçado como no Polyvore , a maioria das pessoas, especialmente as de maior bom gosto e mais antenadas com as últimas novidades da moda são do leste europeu. Ontem, quando abro meu blog e vejo uma mensagem vinda do outro lado do mundo, fiquei me defendendo assim : oras, também a Turquia é logo ali, está a um click do meu mouse e afinal, depois de ler o livro Istambul, do premio Nobel Orhan Pamuk há uns 2 ou 3 anos atrás, fiquei tão fascinada por aquela cidade, pelo Bósforo, pela civilização bizantina e otomana que virou mexeu eu tou passeando por lá pelo Google Earth. Demorou um pouco pra cair a ficha e eu chorar. Mas não deu tempo, estava saindo para buscar junto com a Regina e Norma, a Celia Maluf, nossa colega de Assunção que mora nos estados Unidos e que eu não via há 40 anos. Qua – ren – ta !!!! É mole? Não é mole não! e a emoção foi tão grande que hoje não vou poder falar sobre isso, vou esperar a foto tiramos para mostrar aqui o tamanho da minha emoção
xoxo